Muitos de nós não faz idéia, do quanto durante o período gestacional e de desenvolvimento de uma criança, uma conduta negativa dos pais, pode gerar intensos conflitos emocionais e inclusive desvios de caráter e personalidade.
Hoje, abordarei um transtorno de personalidade, denominado: ESQUIZÓIDE.
Entende-se o indivíduo Esquizóide como aquele portador de um intenso embotamento afetivo, ou seja, alguém isolado de interações e relações sociais, além de escassas ou nulas manifestações afetivas.
Constantemente isolados, estes indivíduos evitam encontros sociais e familiares, demonstrando desinteresse na idéia de “estar” e “trocar” com outras pessoas. A tendência é o isolamento e atividades geralmente excêntricas e individuais, como desafios intelectuais, atividades que envolvem o universo da internet, entre outras funções que não necessitem de qualquer tipo de parceria para serem efetuadas.
O esquizóide não tem a preocupação com a adequação social ou o que os outros possam pensar dele, na verdade, ele está “nem aí” com o julgamento alheio, vive em seu mundo isolado. Quando forçado a alguma reunião familiar, pode-se perceber seu comportamento indiferente e inexpressivo. Não há preocupação em ser cordial ou simpático.
Suas atividades não envolvem sentimentos intensos, sua libido é muito baixa, assim como sua capacidade de desenvolver, sentir ou expressar qualquer emoção. Fato que incomoda e entristece familiares, principalmente aqueles que são resistentes em constatar o transtorno, tendem a esperar e a cobrar reações, das quais o indivíduo não tem recursos para dispor.
Para qualquer situação, envolvendo perdas, ganhos ou mesmo diante de uma provocação direta, o indivíduo com o transtorno, reagirá de maneira passiva. Não conseguirá responder de maneira espontânea, demonstrando tristeza, raiva ou alegria. A sensação é como se nada o afetasse. Por isso, seus relacionamentos, preferencialmente os afetivos como namoros e casamentos, são praticamente impossibilitados e na maioria das vezes, o esquizóide passa toda uma vida solitário.
Muitos profissionais justificam a patologia como reflexo de uma relacionamento instável e deficitário com os pais. Através da rejeição paterna ou materna, a relação estabelecida passa a ser hostil e superficial, causando na criança durante sua fase de desenvolvimento a internalização traumática de desamparo afetivo. Diante da pouca ou nula validação da criança, esta não encontra razão para sua existência, perdendo-se em seu mundo solitário e sem reciprocidade de laços.
Desenvolvemos a nossa capacidade inter relacional através dos afetos aprendidos e recebidos durante a nossa relação primária com nossos pais, estes que nos apresentam o mundo e nos tornam conscientes de nossa existência. Daí a importância desta troca genuína e inconsciente de afetos e desejos.
O transtorno de personalidade esquizóide pode e deve ser tratado com psicoterapia o quanto antes, para que possam ser resgatados os traumas infantis e assim, reestruturados. Favorecendo a validação do indivíduo no mundo, podendo dessa forma, se perceber e internalizar a importância e necessidade dos afetos, interações sociais e sentimentos.
Pamela Couto de Magalhães ( CRP:06/88376)
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